Às borboletas presas dentro de mim

Às borboletas presas dentro de mim, nessa manhã, decido dar liberdade. São milhões de desejos, expectativas e metas que percebo inalcançáveis, não por preguiça nem mesmo por falta de oportunidade, mas por não serem saudáveis a quem eu pretendo ser. Encaro-as de frente e pergunto:


- Quem foi que colocou vocês dentro de mim?


A resposta silenciosa confirma o que eu já sei. O vendedor dessas vontades não está presente para se defender. Fecho os olhos, respiro fundo e tento encontrar o que realmente faz parte de mim para que então meus desejos me ajudem a evoluir ao invés de me deformar. O que se apresenta é bem diferente daquilo que tenho ao meu redor. É mais simples, mais singelo, inclusive mais fácil de alcançar.


Algo se movimenta atrás de mim. Minhas próprias asas começam a aparecer. Que surpresa! Não preciso de borboletas alheias, eu mesma posso voar. Tento abri-las, doce ilusão, elas não cabem aonde estou.