É por causa de amor que você tá chorando?

Eu estava diante dela e a nossa volta um mar se formava, ela chorava sem parar, tanto, que não conseguia me explicar onde doía para que eu pudesse ajudar. Rapidamente, com pedaços da minha curiosidade construí uma canoa, entrei e sentei-a junto comigo enquanto suas lágrimas formadoras de correnteza fizeram com que começássemos a navegar. Foi então que eu escutei pequenas pausas em meio a lamentação e em uma delas, encontrei forma de perguntar:


- É por causa de amor que você tá chorando?


Balançando a cabeça ela respondeu que sim e apontando para água me fez ver as cenas que sua memória não cansava de repetir. Entendi, ela tinha vivido momentos lindos ao lado de um grande amor, mas ele, partido, deixou-a com sua presença apenas do lado de dentro, lugar de onde ela não conseguia sair.


Deixei-a chorar.


Enquanto isso, fiquei assistindo as memórias dela na água, como se fosse um filme, porém, de trás para frente, já que era esse o sentido que as lágrimas haviam decido nos fazer navegar. Em um dado momento da narrativa outros elementos começaram a aparecer e eu perguntei:


- Você e esse amor costumavam passear perto de um rio?