Deus não estava lá

Essa noite, cheia - como a lua - de uma vontade de queimar fios invisíveis ao meu redor, resolvi enfrentar uma das forças mais complicadas para mim: Deus. Corajosa, decidi buscá-lo para pedir que parasse de se deixar usar como desculpa para entrar na vida daqueles que, dos que usam o seu nome, não tem como se defender.


Carreguei minha mochila com tudo o que de sagrado eu tenho e sai em uma jornada a procura do criador. Para mim, em poucos lugares ele poderia estar. Nos templos, na natureza ou no céu. Comecei pela primeira opção. Perto de minha casa tem uma igrejinha branca, fui visitar.


Ao chegar lá me deparei com um velho padre, sentei com ele e, sem fotos de Deus para apresentar, descrevi suas características:


- É aquele que entra nas matas para catequisar pessoas que, no final das contas, são obrigadas a servir, não a ele, mas ao estado do território em que estão.


O velho padre se assustou! Me disse não reconhecer ser tão maldoso assim. Fui embora, Deus não estava lá. Segui em direção a segunda opção. Em uma mata fechada de uma diversidade tamanha eu expliquei: