O topo da árvore da vida

Era uma vez a árvore da vida. Quem chegava perto dela, sentia vontade de subir. No topo havia um trono, maravilhoso, com certeza o trono de DEUS. Mas quem lá chegava, não encontrando o criador, resolvia esperar.


Nesse lugar não se sentia cansaço, fome ou dor, era possível ficar horas na mesma posição, sem se mexer. Os anos iam passando, décadas, séculos, milênios, outras pessoas iam chegando e como não sentiam necessidades, ficavam por ali.


Com o tempo, multidões preencheram aquele lugar que parecia cada vez maior, ninguém ficava desconfortável, o silêncio era gigantesco, não havia necessidade de falar, eles no máximo se olhavam e seguiam esperando por Deus.


Todos sabiam que estavam no lugar certo, não havia outro onde quisessem estar. Aos poucos essas pessoas, imóveis por séculos, começaram a se tornar partes da árvore, suas pernas e braços grudaram no tronco, tornaram-se galhos, juntando-se umas nas outras a tal ponto que já não se diferenciava mais árvore, de pessoas.


Algumas vezes, alguém chegava e pensava que estava só, mas na verdade sentava-se sobre algum tronco que já havia sido pessoa e que agora fazia parte do lugar. O recém-chegado, pouco a pouco, em quietude, tornava-se parte da árvore também.


Um belo dia, um menino de mais ou menos 3 anos de idade chegou. Bilhões e bilhões de olhos se abriram nos troncos e galhos da árvore. Os olhos de todos NÓS.