Os dois lados da estrada me levarão a algum lugar

Estou caminhando por uma estrada, sozinha, porém, um pouco mais a frente vejo outra pessoa, de costas, e do ponto onde eu estou ela me parece esquisita, me traz uma sensação incômoda, não quero me aproximar. Eu paro, penso e decido virar para o outro lado para me afastar, afinal, os dois lados da estrada me levarão a algum lugar.


Em um certo ponto, nesse oposto sentido, vejo outra pessoa, ela está de frente e me parece muito familiar. Eu começo a sorrir. Afinal, seus contornos, mesmo que ainda indefinidos pela distância, me passam segurança, sinto que com ela saberei como me comportar.


Minha intuição não falha.


Ela abre os braços e eu corro em sua direção cheia de saudade, ela, sou eu, dez anos atrás. Meus olhos se enchem de lágrimas, os dela também. A roupa que ela está vestindo era a minha preferida que de tanto uso se desfez. A gente senta no meio da estrada e começa a conversar. Ela me conta coisas que eu já sei, mas que mesmo assim, gosto de escutar.


Ela é bonita, otimista, não tem medo de nada. Eu agradeço por ela existir e ela agradece de volta, diz que sente a mesma admiração por mim e que sua autoconfiança é fruto de saber que eu sou aquilo que ela se tornou. Horas se passam até que a empolgação da nossa conversa é substituída pelo silêncio final. Ela então me diz: