Vocês costumavam ser mais longos

Acordo às 3h da madrugada para fechar a porta da cozinha que abriu trazendo uma forte corrente de ar. Dou de cara com ele sentado no chão, sinto um arrepio frio nas costas, já o conheço, foi ele que me guiou pelos fortes ensinamentos nas montanhas do Peru.


Pergunto o que faz tão longe de casa e porque decidiu vir me ver. Ele me olha, solta fumaça do cachimbo e responde lentamente:


- Vocês costumavam ser mais longos.


Sento-me ao lado dele. Já sei que precisarei escutá-lo atentamente para entender. Ele continua, de fala arrastada e cachimbo na mão:


- Vocês estão curtos, com pouca duração. Estão fazendo mil coisas, porém, apenas por segundos, sem continuidade. Desconexos.


Eu explico a ele que esse é o mundo moderno. Conectado e rápido. Que tem muita coisa acontecendo, muita opção e a gente não quer perder. Ele, bom ouvinte, balança a cabeça e me pergunta:


- Mas e Deus? Como é que fica?