A lógica do conquistador

Já faz um tempo, mas eu me lembro muito bem. Ele chegou e me conquistou. Eu, olhos ingênuos de não saber, não enxerguei os sinais de devastação. Ele, dizendo que seria para o meu crescimento, para a minha evolução, me transformou. Derrubou o que em mim era virgem, diverso, singular e original. Eu me desmatei, me modifiquei, me destruí, arranquei de meu corpo, obediente, tudo aquilo que ele dizia não agradar.


Deixei que meu rio chamado desejo fosse represado, remodelado, suavizado, passei a seguir determinado fluxo sem perceber que eu desaguava, sem violência, educada, sempre nas mesmas mãos. Meu desejo domesticado passou a obedecê-lo, terminei - sem referências que não as dele para comparar - querendo SER exatamente o que ele esperava de MIM.


Minha floresta de sonhos foi completamente dizimada:


- Ela é perigosa, ele dizia, escura, misteriosa demais, passível de fazer você se perder.


O que eu não sabia é que ele temia que eu, ao perceber a violência de suas ações tivesse para onde fugir, tivesse como me sustentar. Sobraram apenas uma ou duas árvores-sonho, justamente as que davam os frutos