A tartaruga do apocalipse

Algumas vezes minha tartaruga some, outras vezes, com o casco aberto, morre. As variáveis são essas, mas desde março desse ano não teve uma semana em que eu não tenha sonhado com ela.


Porém, essa noite a narrativa foi diferente, ela se distanciou do lago onde vive e saiu andando, como eu estava perto, resolvi segui-la. Ela entrou em um corredor sujo, estreito, de chão de cimento com esgoto passando dos lados, me preocupei, mas decidi não importunar, afinal, ela parecia saber onde estava indo.


No fim do corredor chegamos a uma cidade deserta onde os prédios estavam vazios e os carros, abandonados nas ruas, esperavam por ninguém. Minha tartaruga seguiu em linha reta pelo apocalíptico cenário e eu fui atrás.


Ela então atravessou uma grande avenida, subiu por uma rua, também deserta, e entrou em um prédio - eu sempre atrás. Ela parou diante de uma escada sem condições de subir, foi então que eu escutei acima de nós um gemido baixo que me fez estremecer.


Peguei minha tartaruga nos braços, e subi.