No tempo da lua

Por esses dias, sem ter janela ou paciência para ver o céu, alguém me diz:


- Eu não entendo as fases da lua, não sei o que fazer em cada uma delas.

Eu respondo:


- Sabe sim, mas esqueceu. Senta aqui. Eu vou contar uma história para te fazer relembrar.

Naquele tempo, onde luz artificial era fogueira, chão era terra e o cobertor as estrelas, nós nos orientávamos pelos luminares, sol e lua eram nossos deuses, nossos relógios, nossos calendários, nossos faróis.

Nessa época, em noite de fase nova, quando a lua não estava no céu, sabíamos, pelo costume, que logo ela começaria a aparecer, e que a escuridão, que nos impedia de fazer aventuras noturnas, de sair da toca, da caverna, servia para que ficássemos recolhidas e passeássemos por dentro, percebendo nossas vontades e sonhando com o que faríamos quando as noites voltassem a ter luz.

E quando a lua crescia, a gente dizia:


- Ela está crescendo.