O despertar - parte III

Depois de entender que aquilo que me atrai qualifica meu auto amor meu coração se aqueceu e esse ensinamento modificou todas as áreas da minha vida. Cada ato, cada escolha passou a levar dentro o termômetro “me traz vida ou me destrói?”. Também aprendi a me segurar dando crédito a minha própria luz. Achei que tinha zerado o jogo do despertar. Mas ele voltou. O SER antigo, agora em formato de criança, disse que tinha algo mais para ensinar.


Ele me perguntou:


- Se você quiser ter pernas fortes o que terá que fazer?


- Caminhar!


- Exatamente. E se quiser ter um coração forte, o que precisará fazer?


- Amar! A mim mesma?


- Amar a si mesma é o básico, você já entendeu. Mas amar somente a si será como caminhar dentro de casa, fortalece a perna, mas não te torna valente.


Nem ousei responder, como sempre, não entendi. Ele continuou:


- Você aprendeu a se amar e a se segurar, agora precisa estender seu coração como moradia aos demais sem garantias de que eles fiquem para sempre ou não.


- Qual o intuito disso? Me fazer sofrer?


- Não. Quando você ama alguém precisa obrigatoriamente expandir o seu coração deixando esse “peso” a mais entrar, ele fica mais forte e mais valente porque amar alguém além de você é arriscado. É como passear fora de casa, imprevistos podem acontecer.


- Mas espera. O que eu ganho com esse coração mais forte, valente e maior?


- Você já viu alguém comer pedaços de si mesmo para sobreviver?


Vendo meu espanto, bem baixinho ele completou:


- Ninguém pode sobreviver amando apenas a si mesmo, definharíamos, ficaríamos cada vez menores. Em um universo inteiramente conectado, isolar-se é suicídio. Seja valente! Sem medo, deixe que venham morar em seu coração. E agora... eu preciso ir e você também.


- Ah! Que pena. Nunca mais vou te ver?


Dessa vez ele gargalhou alto até escorrerem lágrimas de seus olhos, quando terminou me olhou com muito amor e já desaparecendo, sussurrou:


- Você ainda não entendeu, não é?


- Não.


- Menina. Eu sou você.♥

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